Comer Emocional X Fome Fisiológica

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Comer Emocional X Fome Fisiológica

Você já parou para pensar que nem toda a vontade de comer é fome?

Quando estamos com fome, nosso corpo emite algumas dicas através de sinais fisiológicos, como a sensação de vazio no estomago ou mal-estar, de que está na hora de comer.

Este mecanismo, que é nomeado de fome fisiológica, está atrelado a uma posterior sensação de saciedade após a realização das refeições.  Esta sensação de que estamos satisfeitos, sinaliza que podemos parar de comer e que ficaremos satisfeitos por algumas horas.

A ansiedade e o estresse podem modificar esta percepção de saciedade e levar a comportamentos frequentes de ficar beliscando a comida ou de comer muito mais do que realmente gostaríamos. Isto pode ser compensado por dietas restritivas, podendo gerar um ciclo alimentar de comer transtornado ou mesmo de uma compulsão alimentar.

No comer emocional, a comida passa a ser um alívio para sentimentos negativos como tristeza, raiva ou frustração. É uma busca pela satisfação de um desejo ou de um vazio que não se sabe exatamente o que é. Alimentos, geralmente os mais palatáveis ou mais doces, trazem uma sensação de alívio imediato aos sentimentos indesejados, mas é logo acompanhado de arrependimento e culpa.

Normalmente este sentimento de culpa é compensado por uma dieta restritiva, que pode levar a uma compulsão e aí se instalar um ciclo de comer transtornado, alternado entre períodos de grande restrição e de períodos de comer exagerado.

Identificar as emoções e saber lidar com sentimentos negativos de outras maneiras, sem ser a busca da comida, é um caminho para se evitar ganho progressivo de peso e até um transtorno alimentar. Muitas pessoas buscam em atividades prazerosas como ouvir música ou caminhar ao ar livre uma forma de lidar com sentimentos e emoções que causam desconforto. Quando o desconforto é frequente e passa a ser um empecilho no dia a dia, a busca de uma terapia pode ajudar a identificar e lidar com sentimentos que causam um sofrimento maior.

Assim, respeitar seu paladar e seus desejos, buscando um equilíbrio de comer com prazer, sem restrições, cozinhando a própria comida e respeitando as sensações de fome e saciedade, é um caminho para uma vida mais saudável e equilibrada.

Escrito por Graziela Dassoler.

 


Psicóloga pela Universidade Paulista. Especialista em Psicoterapia Analítica e Abordagem Corporal pelo Instituto Sedes Sapientiae. Especialista em Transtornos Alimentares e Obesidade pelo CEPSIC do Instituto Central do HC da Faculdade de Medicina da USP. Aprimorada em Transtornos Alimentares pelo curso avançado do AMBULIM-IPq-HC-FMUSP. Coordenadora da Psicologia do Grupo de Atendimento para Homens com Transtornos Alimentares (GAHTA-AMBULIM-IPq-HC-FMUSP). Instrutora Mindfulness Based Eating Awareness Professional Training (MB-EAT). Membro da Academy for Eating Disorders (AED). Membro técnico consultivo da ASTRAL Associação Brasileira dos TRanstornos Alimentares.
 

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