As Lideranças podem se tornar mais conscientes?

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As Lideranças podem se tornar mais conscientes?

Liderar é sinônimo de dar exemplo. Não no sentido de perfeição. Mas no sentido de que estamos sempre sendo exemplos, independente do contexto que nos encontramos e independente se queremos ou não dar exemplo. O fato é que todas as pessoas dão exemplos. Somos os líderes de nossos filhos através do exemplo. Somos os líderes de uma equipe através do exemplo. De uma empresa, de uma sociedade, etc. Não que isso deva ser um fator de constante preocupação com nossa aparência ou o jeito que falamos e agimos. Deve sim, ser um fator de conscientização, onde passamos a nos observar e refletir se estamos sendo autênticos e coerentes com nossas crenças, sentimentos, pensamentos e ações. A autenticidade se torna o exemplo.


Claro que a autenticidade não é garantia de bom caráter, boas ações ou boas intenções. É simplesmente uma característica importante para o crescimento, é uma boa base para um crescimento verdadeiro e honesto consigo mesmo. A questão que surge é se estamos conscientes de nossa autenticidade ou não. 

É muito comum a pessoa agir com bastante congruência com o que sente e pensa, mas ela não exerce uma análise crítica ou reflexão sobre tais sentimentos e pensamentos. Isso gera uma mecanização das atitudes, ao contrário de profundidade das atitudes que passam por uma auto-análise. 


Um líder pode estar agindo sem autenticidade por uma necessidade momentânea, para superar uma dificuldade pontual por exemplo, mas pode estar amplamente consciente de seus sentimentos e pensamentos, possivelmente mais do que uma pessoa que age com autenticidade e sem auto-análise, sem auto-observação. As lideranças são, portanto, o exemplo natural e espontâneo para suas equipes. Para que as lideranças se tornem exemplos mais conscientes, precisam adotar como parte de suas vidas, conhecimentos e ferramentas que despertem o autoconhecimento. É esse aprofundamento que torna possível que lideranças reflitam sobre o verdadeiro propósito de sua instituição. Nos últimos séculos as lideranças corporativas vem atuando, de um modo geral, com a ganância acima do propósito. Isso acaba gerando tomadas de decisões anti-propósito, e que vai em detrimento da transformação positiva, da evolução da instituição, e principalmente contra a saúde e bem-estar das pessoas envolvidas. Isso é muito comum na gestão pública em nosso país.


O lucro é fundamental e necessário para prosperidade e sustentabilidade de uma instituição, de uma nação, porém o propósito de existência não deve ser o lucro. O lucro deve ser uma consequência equacionada no projeto de realização desse propósito. A abundância e prosperidade são elementos fundamentais inerentes à natureza da vida e são espelhados na vida humana, como consequência de uma visão e atitudes mais sistêmicas, quando o lucro é consequência. 


O atual modelo corporativo, onde os acionistas são os que mais se beneficiam de maneira extrema, está fadado ao fim. É um modelo injusto, ultrapassado, apesar de ainda ser a norma. As companhias capitalistas atuam mais como um modelo de “imperialismo privado” do que um modelo de propagação de riqueza para a sociedade. Porque os acionistas devem dividir bolo somente entre eles? Me soa como um movimento que nega a importância dos outros agentes integrantes daquela corporação. Por que não dividir o bolo do lucro em partes igualmente proporcionais, por todas as pessoas envolvidas na instituição? 


Descobri recentemente que o significado da palavra companhia vem do latim: cum = com = juntos e panhia vem de panis ou pão. Ou seja: aqueles que andam juntos para dividir o pão. Mas de fato não é isso que acontece. O pão mesmo não é dividido. O que é dividido é o esforço para se conseguir aquele pão, para chegar até o pão. 

Isso é distribuição de renda desigual. Como podemos reclamar de uma sociedade com distribuição de renda desigual se fazemos o mesmo nas nossas vidas privadas? Como esperar a mesma dedicação e envolvimento das pessoas envolvidas na companhia? Como você enxerga o modelo corporativo no que diz respeito à distribuição dos rendimentos de uma empresa?

 Escrito por Andre Elkind.

André é especialista em Liderança Consciente e Gestão do Estresse. Fundou a Mantri em 2013 para ajudar pessoas e organizações a implementarem uma vida mais consciente, saudável e produtiva, usando diferentes ferramentas de autoconhecimento, presença e liderança. André iniciou suas práticas de meditação, yoga e respiração em 1991. Formado em Gestão de Negócios pela Maharishi International University (EUA, 1997). André estudou também Liderança Védica, Ciência Védica, Ayurveda, Estados Elevados de Consciência, Psicologia Védica e Técnicas Avançadas de meditação transcendental. Até 2013, André atuou nos EUA e Brasil como executivo em Varejo, Segurança Alimentar, Tecnologia e Inovação Consciente.

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