Alma Carioca : Nina Almeida Braga

  • 4 min ler

Alma Carioca : Nina Almeida Braga

Nina Almeida Braga é uma mulher engajada. Carioca da gema e de coração, sua paixão pelo Rio de Janeiro sente-se através das suas ações e movimentos nos quais está envolvida. Sua atuação profissional é ampla: socióloga e psicóloga, pós-graduada em Antropologia Social pelo Museu Nacional (UFRJ), mestre em Saúde da Criança e da Mulher, professora da pós-Graduação do Departamento de Psicologia da PUC-RJ, coordenadora nacional do Projeto Traces com o Ministério do Meio-Ambiente da Itália, roteirista e diretora de filmes de conteúdo ambiental e muito, muito mais. Hoje diretora executiva do Instituto E, ela compartilha aqui sua visão sobre o momento do Rio de Janeiro e como enxerga o futuro. O que mais te inspira no Rio de Janeiro ? A beleza natural: adoro poder olhar para as montanhas e o verde ao redor, bem como para o mar . Pedalar pelas ciclovias de Ipanema, Leblon e da Lagoa sempre me inspira! Quais são seus lugares preferidos para comer & beber na cidade ? Para almoço do dia a dia fico com o Delírio Tropical e com o Gula Gula, sempre na Gávea. Para jantares e almoços especiais gosto do Guimas, Massa, Puro, Teva, Le Formidable e Nam Thai . Pizza é no Ella ou no Zona Sul. Para beber Le Vin, Academia da Cachaça e no Guy, na Fonte da Saudade. O que te lembra tua infância ? Mate e limonada de galão, biscoito globo e aquele biscoito fininho em forma de charuto que o vendedor na praia alardeava com um titlim. A Greenpeople tem um suco, acho que o de uva, que lembra Grapette, outro sabor de infância... Conte sobre o Instituto E, quais são os projetos que mais te inspiram ? O Instituto-E é uma organização não governamental, mais precisamente uma OSCIP (organização da sociedade civil de interesse publico) , que realiza diversos projetos de sustentabilidade no Brasil e no mundo. Nossa atuação se concentra nas áreas que compõem o ideário dos 6 E's : Earth , Environment, Education, Energy, Empowerment e Economics. Apoiamos tanto projetos originais quanto de parceiros porque a nossa missão é a promoção do desenvolvimento humano sustentável. E realizamos também um trabalho de advogado de causas socioambientais. Relacionados ao Rio propriamente dito tem o projeto de recuperação da vegetação de restinga nas praias de Ipanema, Leblon e Prainha. E também o da horta comunitária no Cantagalo, que desenvolvemos em parceria com a Greenpeople e Harmonicanto. Ao lado destes tem o trabalho de capacitação, de geração de renda e de empoderamento de grupos de artesãos de várias comunidades no Rio como do Morro do Alemão – que confeccionou a e-bag à venda nos quiosques da Greenpeople. Também desenvolvemos um trabalho similar em outras comunidades Brasil afora e em parceria com um órgão da ONU – o Ethical Fashion Initiative – também no Haiti. Outra modalidade de atuação é a consultoria que oferecemos às empresas e empreendimentos que buscam aprimorar as boas práticas em sustentabilidade como a Greenpeople, cujos produtos receberam o nosso selo de e –foods tendo em vista o conteúdo socioambiental de muitas das suas atividades como a mencionada horta comunitária, a compensação dos impactos dos resíduos, a preferência por alimentos saudáveis produzidos localmente, o envasamento em garrafas que não soltam substancias nocivas à saúde quando expostas ao calor do sol e a busca permanente para reduzir a sua pegada de carbono A palavra sustentabilidade está sendo muito usada nos últimos anos ? Como você a define ? Eu prefiro a definição clássica estabelecida pela Gro Brundtland ainda em 1987, quando estava liderando a Comissão de Meio Ambiente da ONU. De acordo com ela, sustentabilidade significa respeitar os limites dos recursos naturais de modo a garantir a sobrevivência destes recursos para as gerações que nos sucederão. Por conseguinte, deixa implícita a necessidade de uma racionalidade e de uma eficiência perante a natureza que, infelizmente, não tem predominado na ordem – ou seria des- ordem ?- mundial. Os impactos negativos desta exploração desenfreada do patrimônio natural se tornam cada vez mais evidentes. Entao, ao contrário das gerações que nos antecederam, não podemos dizer que ignorávamos muitas das consequências desta irracionalidade que tem nos levado a conviver com extremos climáticos. Temos de agir imediatamente e unir forças com quem compartilha desta percepção como a Greenpeople que, tal qual o IE e eu pessoalmente, encaram a sustentabilidade como ancorada no triple bottom line: ambiental, social e econômico. Sem este tripé a sustentabilidade dificilmente acontece e perdura... O que as pessoas podem fazer concretamente no dia a dia para contribuir com meio ambiente? Por vezes quando nos deparamos com catástrofes de grandes proporções como a sucessão de furacões e secas devastadoras e/ou derramamento inapropriado de substancias tóxicas como petróleo e resíduos de minério tais como em Mariana –MG, ficamos com uma sensação de impotência. Mas há muito o que se pode fazer em nosso cotidiano: desde o exercício de um consumo consciente – que acontece, por exemplo, quando se opta por produtos com preocupações socioambientais – até a adoção de práticas de cidadania como o descarte apropriado de resíduos, o não desperdício de bens naturais indispensáveis à vida como de água, o respeito aos parques naturais - sejam urbanos ou não – e a escolha de nossos representantes no Legislativo que estejam realmente comprometidos com o nosso bem estar e, consequentemente, com o meio ambiente. Como você enxerga o momento atual do Rio de Janeiro ? Crítico! De um lado, temos uma prefeitura pouco atuante em áreas cruciais e uma desordem urbana crescente, assim como um nível de violência que está beirando o insuportável. Por outro lado, temos uma população desiludida com as práticas políticas e que está a adotar atitudes a cada dia mais individualistas e corrosivas ao bem comum. O que nos salva é que muitos de nós somos resilientes e nutrimos a esperança desenvolvendo projetos criativos, aptos a driblar esta inercia do poder publico e a leniência com um ‘jeitinho’ que nada tem de inofensivo, muito pelo contrário. Seu greenpeople preferido ? Difícil escolher um porque gosto muito do ouro , do lemon–aid, do pink chia... Mas se tiver mesmo que optar por um apenas acho que ficaria com o Basic de Maçã. Chego a consumir 3 por semana...

Buscar