Mitos e Verdades ! Ale Luglio conta tudo.

Alessandra Luglio, conhecida como Ale Luglio nas redes sociais, é nutricionista e consultora de alimentos. Com mais de 20 anos de experiência na área de alimentação equilibrada, esporte e vida saudável, ela é uma inspiração para muitos. Sua vida profissional sempre sofreu grande influência da essência “natureba”, a base de equilíbrio entre o homem e o meio ambiente. Vê a saúde humana como parte de um ecossistema harmonioso e acredita que não existem pessoas saudáveis em um planeta doente. Entende que nossos hábitos alimentares são os maiores causadores de desequilíbrios ambientais e que o alto consumo de proteína animal é um grande desafio e motivo discussão do ponto de vista ético, afetivo e ambiental. Durante nossa entrevista, ela conta sobre vários mitos e verdades da nutrição e compartilha sobre seu estilo de vida.
Você é vegetariana há quanto tempo? Como começou?
Acredito que eu seja uma pessoa vegetariana desde nascença, minha índole é vegetariana pois minha relação com os animais sempre foi de amor, carinho, proteção e igualdade. Relatos familiares contam que aos 3 anos eu me revoltei em festa familiar com a presença de um leitão assado na mesa. Aos 12 anos minha mãe se aproximou na macrobiótica e alimentação natural e eu entrei nisso junto, exclui as carnes da minha alimentação o que foi um alívio. Após estudar nutrição, fiz faculdade – USP até o ano de 1996 eu mantive mina ideologia alimentar até que, com a grande influência da nutrição esportiva voltei a consumir peito de frango e alguns peixes. Ha certa de 5 anos passei por um período de muita reflexão e estudo sobre ética, saúde e meio ambiente e o vegetarianismo voltou com muita força e embasamento na minha vida. Ha mais de dois anos, já muito segura e engajada na causa, me tornei vegana, deixando de lado também leite e seus derivados, ovos e todo e qualquer alimento de origem animal assim como passei a ser muito seletiva quanto à produtos e estes em animais, roupas, calçados e qualquer produto ou hábito que colocasse os animais em situação de abuso.
 
Como surgiu seu interesse pela culinária?
Sou apaixonada pela cozinha e desde criança cozinhava com minha mãe. A nutrição me fortaleceu na cozinha uma vez que, sem dúvidas, cozinhar é o nosso maior laboratório da saúde. Sabor, prazer e engajamento social, ético e ambiental tem como grande cenário de mudança a cozinha, ali mudamos o mundo.
 
Você sempre pensou em gastronomia relacionada à saúde?
Sempre! Mas sem “neuroses”. Ao longo de anos cozinhei no dia a dia da minha família valorizando os alimentos simples, vegetais e claro, cada receitapensada do ponto de vista nutricional para que fosse equilibrada e rica. Hoje, entendo a alimentação como potente ferramenta de mudança de estilo de vida, saúde e sustentabilidade. A alimentação Plant Based, que é o modelo alimentar que sigo é tão rica e estimulante do ponto de vista culinário que passou a ser gastronomicamente falando, uma das grandes tendências na culinária moderna.
 
Na sua opinião, o que é uma alimentação saudável de verdade?
Alimentação saudável é aquela que oferece o necessário de nutrientes essenciais ao organismo de cada indivíduo, que é único, de forma equilibrada, acessível e respeitosa. O mais sobra, o menos falta. A natureza é perfeita e somos parte dela, essa frase, na minha opinião, reflete a nossa interdependência com o meio ambiente. Quanto mais natural, menos beneficiada e refinada, menos aditivada e mais simples forem as escolhas alimentares, mais nutritivas e harmoniosas com a natureza ela será!
Alimentação e sustentabilidade podem ser complementares? Como?
É evidente e comprovado que as escolhas alimentares individuais e coletivas sáo os maiores impactadores negativos ao meio ambiente. A agropecuária é a atividade do homem que mais consome recursos naturais na atualidade além da produção de resíduos e contaminantes. Falamos de uso de água potável, terras, oceanos, rios, emissão de CO2, óxido nitroso e metano, falamos de despejo de matéria orgânica (fezes de animais e dejetos de criação e abate), água contaminada, uso de agrotóxicos e agentes pecuários como antibióticos e venenos de controle de parasitas.
A redução ou a eliminação dos alimentos de origem animal e a valorização do alimento local, preferencialmente orgânico é uma poderosa forma de impactarmos menos o meio ambiente e minimizarmos nossa “pegada ecológica “.
 
De que forma é possível conectar-se com a alimentação, equilibrando corpo, mente e espírito?
Busque o natural, o que vem da terra, busque informações e entenda como sua comida foi produzida, alimentos nos transferem sua energia, a energia vital da terra cultivada de forma natural e muito diferente da energia proveniente dos alimentos de origem animal provenientes da exploração, maus tratos e morte de vidas.
 
Você acredita que os alimentos são, de certa forma, medicamentos? Como?
Acredito muito na prevenção. Comer bem previne a ponto de não precisarmos de medicamentos. Quando o corpo está forte e habituado à receber nutrientes e compostos bioativos diariamente, qualquer enfermidade simples naturalmente é superada por ele!
 
Existe algum alimento que você acredita que não pode faltar no seu cardápio? Qual?
Nenhum alimentos tem tudo que precisamos e nem superpoderes. Se posso citar um grupo alimentar que é importante para àqueles que eliminaram os alimentos de origem animal do cardápio, este é o grupo das leguminosas: feijões, lentilha, grão de bico, ervilhas, soja e seus derivados.
 
Recentemente o Ministério da Saúde divulgou uma pesquisa que revelou que mais da metade dos brasileiros estão com sobrepeso, e que a obesidade atinge um em cada 5 brasileiros. Na sua opinião, a que se deve esses índices tão alarmantes? É possível mudar esse cenário?
Esses dados refletem a carência de informação da nossa população. Reflete a influência do marketing capitalista das grandes indústrias de alimentos e seus processos industriais que prioritariamente não visam nutrir e sim lucrar. Infelizmente a população brasileira de menor renda e informação consome demasiadamente alimentos processados de baixo valor nutritivo e alto valor calórico, essa alimentação prática e sedutora distancia as pessoas das feiras livres, dos alimentos frescos, naturais e também baratos, levando à obesidade e desnutrição ativa.
 
Muitas pessoas alegam falta de tempo para alimentar-se saudavelmente. De que forma é possível superar esse obstáculo para ter uma alimentação equilibrada no dia a dia?
Com conhecimento sobre prioridades alimentares, com informação e revisão de conceitos pré-estabelecidos. Cuidar da própria alimentação e da alimentação dos familiares deve ser considerada tarefa prioritária, com organização e culinária simples não existe dificuldade para que seja implementada com sucesso e prazer no dia a dia da maioria das pessoas.
 
Que dicas você pode dar para quem quer começar a mudar os hábitos?
Procure boas fontes de informações. Passe a frequentar mais a feira livre do que o supermercado. Descasque mais, desembale menos. Procure saber a história do seu alimentos, se ela não fizer sentido pra vc, troque o alimento. Se aproxime do natural e viva em harmonia.
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